Como agem os "Caçadores de Curtidas"?

Uma busca rápida no Instagram por hashtags -- assuntos marcados em fotos -- que usam a expressão "follow" (seguir, em inglês) dá uma noção do desespero de milhões de usuários em busca de fama na rede social. São 138 milhões de resultados para o termo (em inglês) "me segue", além de 1,2 milhão para a sigla SDV (sigo de volta) e 382 mil para "troco likes".


Os alvo prediletos dos caçadores de "likes e follows" são as celebridades. É comum ver entre os comentários das fotos postadas pedidos de "me segue" ou "SDV" - neste último caso, o apelo é para outros usuários que também buscam popularidade. Alguns são tão insistentes que fazem até acrósticos usando o espaço dos comentários: postam letra por letra o pedido para serem seguidos e curtidos.

Além de irritante, a prática acaba ajudando a disseminar spams e dá lucro a aplicativos que prometem "bombar" curtidas e seguidores. E o pior: esses programas geralmente não cumprem o que prometem. Quando "funcionam", obrigam a seguir muito mais usuários do que aqueles conseguidos de volta. Você acaba seguindo perfis sem conteúdo interessante -- repletos de selfies, corpos seminus e até mesmo com apologia à anorexia.

Com tanta demanda, esses aplicativos quase sempre estão entre os mais baixados nas lojas da Apple e Android. Seu uso, porém, não é permitido nem recomendado pelo Instagram. Consultada pelo UOL, a rede social ressaltou que "não é vinculada [aos aplicativos] e repudia esse tipo de serviço e prática."



Por fim, o usuário pode acabar bloqueado ao adotar esses aplicativos. "Ao acessar os serviços do Instagram, o usuário concorda com os Termos de Uso proposto pelo aplicativo, e a violação das boas práticas pode causar o bloqueio da conta por tempo indeterminado", alerta a empresa.

Gato por lebre
Baixamos três aplicativos para verificar se a promessa de fama rápida seria cumprida: o InstaLikes (para aumentar as curtidas nas fotos), além do InstaFollow e o WowFollowers (para aumentar o número de seguidores). Um perfil foi criado especificamente para o "teste".

Em geral, esses aplicativos têm a mesma dinâmica de funcionamento: você precisa ganhar "moedas" cumprindo algumas tarefas e depois pode trocá-las por curtidas ou seguidores. Ao instalar os programas, você já ganha (poucas) moedas. Também é possível adquiri-las baixando aplicativos sugeridos, publicando anúncios deles no próprio perfil (e virando um spammer) ou gastando dinheiro (de verdade) para comprá-las.

Nos dois primeiros aplicativos, cem moedas custam US$ 0,99 (R$ 2,38); mil saem por US$ 4,99 (R$ 11,99). O máximo de moedas que dá para comprar são 25 mil por US$ 49,99 (R$ 120,11).  Já no WowFollowers os preços são: US$ 1,99 (R$ 4,78) para 500 moedas, US$ 4,99 para 2.000 e US$ 24,99 (R$ 60) para 10 mil.

É aqui que você se indaga: alguém vai gastar dinheiro com isso? Sim, é extremamente provável que os usuários do aplicativo paguem esses valores.

A lógica é semelhante à do "Candy Crush", o joguinho social viciante. Você quer tanto passar uma fase que apela para a compra dessa chance. Isso porque, nos aplicativos testados, você gasta muito tempo curtindo imagens ou seguindo alguém para ganhar moedas grátis. Uma curtida (ou seguida) equivale a uma moeda. Ao pagar, você pula toda essa chatice.

Dar mais do que receber
Quer ganhar dez curtidas? Gaste 20 moedas. Prefere 30 seguidores? Então são 80 moedas. Sim, a matemática não bate. Você tem que curtir muito mais e terá muito menos retorno.

Além disso, no nosso teste (no qual só usamos os "bônus" gratuitos), o volume prometido no InstaLike e InstaFollow não foi cumprido. Em vez de 30 seguidores, "ganhamos" apenas 19. No dia seguinte, o número caiu para 14. No caso das curtidas, apenas metade (cinco) apareceram na foto. No WowFollowers, gastamos 80 moedas em vão: nenhum seguidor a mais apareceu.

"Ah, mas eu posso seguir um monte de perfis e no dia seguinte dar 'unfollow'", você vai pensar. Não, não pode: você é punido com a perda de duas moedas a cada perfil que deixar de seguir nos dias seguintes.

Feed poluído
Passada a decepção de gastar nossas moedas conseguidas a tanto custo (foram centenas de toques na tela) – vem a constatação de que esse sistema é ainda pior do que pensávamos.

O feed do Instagram vira um "Frankenstein", com uma miscelânea de fotos que não refletem seus interesses. No nosso caso, em meio aos cliques frenéticos no botão 'Follow', começamos a seguir uma usuária que postava imagens exaltando a própria anorexia.

Se o uso desses aplicativos é desaconselhado pelo Instagram e pode até bloquear a sua conta, pagar por algo (seguidores e curtidas) e não receber é outro motivo para passar longe dessas ferramentas.

VIA

Ele é Blogueiro, Designer gráfico e Palestrante... Auditório, ele é bom ou não é?!?!?

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